
Do faroeste à ficção científica (Revista Se7e, setembro/2003)
Este mês continuo a lista de filmes clássicos
“imperdíveis”, iniciada em agosto.
Como filme de ação, recomendo um que marcou
a minha infância: Os Caçadores da Arca Perdida,
do mago do entretenimento Steven Spielberg. A história
é divertida e Harrison Ford está ótimo
como o herói Indiana Jones, além de ser um bom
programa para as tardes. Na verdade, em minha opinião,
quase todo filme do Spielberg cumpre este papel de alegrar
tardes entediantes, como ET, Contatos Imediatos do 3º
Grau, e, mais recentemente, Prenda-me se for capaz.
No gênero faroeste, indico Rastros de Ódio,
belo filme de John Ford que mostra a obstinação
do amargurado veterano do exército confederado (John
Wayne) em trazer de volta para casa a sobrinha (Natalie Wood),
sequestrada por índios anos antes durante uma chacina
familiar. No caminho, ele tem que lidar com os próprios
conflitos e preconceitos, como aceitar a ajuda do sobrinho
mestiço de índio e branco Martin (Jeffrey Hunter).
Quem curte ficção científica não
pode perder 2001, uma odisséia no espaço. Realizado
nos anos 60, mostra uma visão sombria do futuro (que
já vivenciamos há exatos dois anos) em que os
computadores comandam as vidas dos seres humanos. Vale como
curiosidade, aos que desejam saber como as previsões
furaram e também representa uma chance de conhecer
uma das obras mais significativas do mestre Stanley Kubrick.
Relíquia Macabra marca a estréia na direção
de John Huston e é considerado o precursor do gênero
de film noir. Além disso, lançou ao estrelato
Humphrey Bogart, com seu olhar cínico e jeito impassível,
que se encaixa perfeitamente em heróis amorais, como
é o caso do detetive particular Sam Spade, contratado
por misteriosa mulher (Mary Astor) para investigar o desaparecimento
de valiosa estatueta em forma de falcão. O filme também
é conhecido como O Falcão Maltês.
Recomendo também o clássico O que terá
acontecido a Baby Jane? Além do engenhoso roteiro,
que surpreende no final, vale a pena assistir ao duelo de
interpretações das ótimas Bette Davis
e Joan Crawford. As duas atrizes representam irmãs
que se odeiam, mas que dividem a mesma mansão. Pode
não ser exatamente um filme de terror (está
mais para suspense), mas eu não sou uma grande apreciadora
do gênero.
E, para encerrar, indico como programa família o
filme-símbolo das noites de Natal – A felicidade
não se compra. Com direção de Frank Capra,
cineasta que sempre acreditou na bondade e generosidade humana,
conta a história de George Bailey (James Stewart) que
se sente fracassado e quer desistir da vida na véspera
de Natal, mas é impedido por um anjo da guarda, que
mostra a ele como seria a vida dos moradores da pequena cidade
em que vive se ele não existisse.
Até mais.
Raquel Maranhão Sá
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